Então, você quer um amor que vale a pena?

Você vê aquele casal de amigos ou conhecidos que estão super felizes juntos e precisa lidar com aquele sentimento dúbio de sentir uma espécie de inveja — mas que você chama de outro nome mais bonito porque sentir inveja pega meio mal — e sentir junto uma alegria por estar diante de uma evidência de amor tão raro nos dias de hoje.

Até que chega uma hora que você, então, nem esconde mais que sente a tal da dor de cotovelo por eles. Daquelas boas mesmo, sabe? Repara em como eles se dão bem, como os planos deles parecem dar sempre certo, pensa que este é um episódio peculiar e que a vida deles pode até ser um pouco mais feliz que a sua.

Você se pega admirando como os dois se admiram entre si, gosta de como se tratam e como um se referem ao outro sempre com carinho e respeito. Eles te fazem acender uma vela no altar da esperança, mas logo, você se convence que esse tipo de coisa não acontece todo dia.

Então, se convence com toda convicção que talvez esse seja um golpe de sorte da vida, daquelas coisas que acontecem rarissimamente. Um evento que a vida faz uma vez e depois demorar para acontecer novamente. Ela premia um em cada cem mil, ou um milhão, sei lá. O que você sabe é que eles foram sortudos, e você, parece que não sabe nem como esquecer e se livrar do velho enrosco que só te faz mal.

Então admite que parceiros bons são raridade e que pessoas como você jamais teria essa sorte toda, afinal, você nunca ganhou nem em rifa de batedeira que compra de vizinha, quem dirá um amor de verdade. E, quer saber, talvez você esteja certo. Talvez você seja uma farejadora de merda. Tá ofendido? Calma, que até o final do texto, talvez você me processe. (setor de vai dar merda em alerta)

O importante é que você até sabe que precisa mudar algumas coisas. A começar pelo que te atrai em alguém. Você tem preferências e gostos duvidosos, mas sabe disso. Dizem que gosto não se discute, mas ninguém acharia normal beber esgoto de canudinho. Entenda que você é viciado na imagem que você projeta das pessoas ideais, mesmo que não assuma.

Você pensa que alguém para você pode até não gostar de dançar, mas tem que curtir sertanejo. Pode até sair sozinho com amigos, desde que saiba sempre onde está e com quem. Não precisa ter um carro do ano, mas tem que dar um jeito de te pegar em casa. Tem que aturar seus atrasos e caprichos. Tem que saber das datas importantes, tem que valorizar suas qualidades. Uma barriguinha até se torna aceitável, desde que também poste foto na academia.

Você tem essa pessoana sua mente. Aquela figura que você pensa ser o mínimo para se sentir feliz. Tudo bem, não tem nada de mais em querer um Bigmac. Mas talvez, o molho extra por mais um real estrague o seu lanche. Talvez o combo te deixe passando mal.

Você acaba sempre acreditando que o melhor para você é aquele padrão de cara ou de menina que você criou na sua mente e que você fica tentando encaixar qualquer pretendente dentro desse escopo mental que você idolatra. Repare que você é viciado em gente que te mata aos poucos, e mesmo que goste de um sorriso bonito e óculos, um braço fechado na tattoo, um bigode de maloqueiro ou uma malandragem aparente, seu esteriótipo te afoga emocionalmente.

Vamos falando sobre os lugares que frequenta? Você sabe que não são os melhores para encontrar gente séria e que queiram te conhecer realmente. Tá! Pode ser que você ache o amor da sua vida numa micareta ou numa festa de open bar, mas ninguém está lá para namorar. Qual a chance? Acontece, mas não é esse o objetivo. Você sabe disso, mas sempre cai na pilha das suas amizades que além de te fazer ter péssimas escolhas, também não são exemplos de pessoas com relacionamentos saudáveis que você tanto queria.

Você pode argumentar que não frequenta lugares badalados e que desse mal não sofre, mas quando você vai à padaria, vai pela razão errada. Você não sabe contemplar um evento sem ficar caçando possíveis alvos para se machucar, por isso, você tem que reaprender a aproveitar os lugares com se fosse um dia normal. Você acha pretendente até mesmo na fila do mercado. É isso que te mata.

Prontos para a verdade? Você talvez não queira um amor, talvez você queira uma pessoa que te idolatre, que te coloque num pedestal e que faça de você uma prioridade absoluta sobre tudo. Talvez, o que você queira é ser amado sem amar tudo que consegue, é ser convidado sem convidar, é ser querido sem fazer o mínimo para ser simpático, é ser servido fazendo para os outros o suficiente.

Talvez você não seja tão simpática e acessível como pensa que é, talvez você finja ser tímida com novas pessoas porque, no fundo, você tem medo de dar certo com algumas pessoas que não preenchem o seu check-list do mundo ideal. Talvez você corte pessoas legais porque você é um escroto afixado em padrões.

Talvez você não queria um relacionamento igual dos seus amigos, talvez você não queria amar, nem queira um relacionamento sério. Talvez você queira apenas se sentir mais acolhida, mais ouvida, mais querida, mais considerada, mais elogiável, mais preterida. É por isso que se lança de aventura em aventura como se não soubesse o que quer, como se não tivesse respeito algum pelo que sente, pelo que pensa sobre a vida, pelos seus valores pessoais, pelo que você já sabe que acaba com você.

Talvez você queria apenas os benefícios de ser amado, sem ter o compromisso de amar. Pode ser que você não esteja disposto para encontrar alguém tão falho, tão insuficiente, tão medroso, tão carente, tão necessitado, tão emocionalmente impreciso, tão iludido quanto você. No entanto, também, não esteja disposto a se ver como alguém carinhoso, cortês, atencioso, doador, gentil, simpático, paciente com as pessoas e com tudo que você gostaria de viver.

E, é por isso que você corre tanto atrás de pessoas e coisas erradas e que você é emocionalmente dependente, que te iludem sobre a realidade e fazem de você o que bem entender. Talvez você seja a maior mentira que você aprendeu a contar para si. Você não quer um amor, você quer ser um objeto de adoração.

Ficou puta? A boa notícia é que acabei de denunciar você para si mesmo, então, você já sabe que não precisa de tudo que acredita que precisa para ser feliz ao lado de alguém. E sabe, no fundo, que só precisa estar disposto a amar mais a si mesmo e as pessoas que valem a pena.

Ame o que vale a pena e não tudo o que vier de bandeja. Não vá pelo caminho fácil. Mude seu padrão de lugares, de pessoas e de sinais de amor. Deixe de farejar merda e seja a amiga que todo mundo tem inveja boa.

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Murillo Leal

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