Todo escritor precisa saber a qual tempo pertence

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Pode parecer exagero, mas toda produção literária tem um poder potencial, que até então, era possível notarmos apenas nos seres divinos: todo material em texto pode se tornar eterno. Há textos que realmente não morrem.

Neste sentido, é interessante pensarmos que há em toda intenção de registro de escrita um pouco do registro do mundo. É por isso que toda escrita precisa ser compreendida segundo seu tempo, mas mais do que isso, ela precisa ser redigida em favor do seu tempo.

Todo nota que é feita por um escritor funciona como um memorial que documenta ideias vigentes, descreve característica de um lugar, apresenta as marcas de uma época.

Em todo impulso literário existe um registro perpétuo da sociedade, do comportamento e da mentalidade do seu tempo.

Toda escrita deixa rastros. Enquanto alguém redige qualquer peça, a todo momento não consegue se distanciar da relação criada entre o que escreve e o que sente, vê e reage. Estar diante da escrita é também estar diante de si próprio, do outro e da sua relação com o externo.

Escrever é testemunhar os dramas alheios e os próprios, é tornar-se espectador das convulsões que o ser humano provoca. Mesmo nas suas mais tímidas vontades, nos seus desejos mais ocultos e nos intentos mais triviais, todo escritor precisa se perguntar:

O que preciso dizer e ouvir deste século?

Com o bom trabalho do escritor, nada passa despercebido e o mundo não corre o perigo de não se conhecer bem. Agora, neste período se renova mais a ainda a importância de ter alguém escrevendo. Estamos diante de um mundo extremamente veloz e com pouca sinalização então, é necessário escrever.

É claro que não coloco o trabalho do escritor apenas como a única possibilidade de conservar e progredir na história. O corpo da investigação intelectual é composto por uma rede de registros, especialmente na arte. No entanto, na prática, o escritor é aquele que consegue explorar a vida e sua prática com certa fidelidade, desde que comprometido com isso. Longe do diletantismo, também há história.

Apesar do escritor nem sempre está comprometido com esta tendência quase arqueológica, ele não pode alimentar um amor romântico pelo seu mundo, afinal, não cabe a ele ignorar as suas ideias diferentes e nem negligenciar as dores distintas das suas. Ele precisa de um olhar abrangente.

Como pertencente ao seu tempo, ele precisa compreender que seus recursos são justamente o que seus olhos veem, seus ouvidos ouvem e sua vida lhe entrega.

A escrita não tem caducidade, ela não envelhece mal. Se isso acontece, é porque essa escrita não cumpriu com toda a sua capacidade. Uma boa escrita nunca é sepultada, nunca passa do seu tempo sem ser aproveitada. Até mesmo as obras mais desconhecidas carregam em si um valor no seu tempo.

Esse deveria ser o espírito daquele que se atreve a escrever. Quanto antes entender o lugar da sua fala no mundo plural, mais fácil o escritor consegue encontrar a sua própria voz e realocá-la no seu contexto mais específico. O escritor não é só um registrador, mas é fruto de um tempo.

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